Papai noé, os menino me contaram, lá na escola onde eu vô, que o senhô atende os pedido dos rico, dos pobre, oprimido, mandado por nosso Senhô.
Me contaram inté que é só ponhá capim em baixo da cama e drumi prá esperá. Mais papai noé! prá começá nem cama eu tenho prá mim drumi. Eu tenho é uma estera véia remendada que dá pena inté de oiá. Brinquedo intão nem é bão falá. Trem de ferro, aeropraninho, sordadinho eu só cunheço de nome, só de ouvi as outra criança cumentá.
Que vale que o pai falôque a inveja num tem valô pro caboclo lutadô. Mais eu te juro papai noé, quando eu escuito uma criança do meu bairro cumentá, eu sinto que o micróbio da inveja cumaça logo a me atacá.
Ói papai noé, pro senhô eu num tenho segredo; inté hoje eu só tive dois brinquedo; Primero tive um potranco que era todinho branco e bonito como quê, mais depois os negócio apiorô e o pai teve que vendê. Despois me deram o pinhão, esse cachorrinho bão que mi ajuda adiverti nas água do riberão nadando daqui prá lí, há! o senhô persisava vê papai noé quando eu dô um merguião custando pra parecê num é de vê que o danado do vira-lata lati desesperado pensando que eu vo morrê.
Mais ói, papai noé, já que nóis temo prosiando, já que a gente ta cunversando o meu pedido eu vou fazê; Faz a minha mãe alevantá. Faiz dois ano que ela num sabe o que é natá. Faiz dois ano que a coitada passô a tussi, tussi, num isforço danado lá na cama prá podê arresistí. Se o senhô me atendê eu podia inté lhe entregá o meu único amigo bão, o meu cachorrinho pinhão que eu custei tanto a ganhá.
Mais o senhô pode ficá com ele ou então fazê presente pra outra criança que o senhô quisé dá. Eu te prometo fica cuntente memo com vontade de chorá. Mais óia papai noé; Num esqueça o meu pedido quando chegá o natá pru favô: Faiz a minha mãezinha sará
Autor: Lulu Benencase
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