Numa noite de São João, na fazenda do Lagedão,foi qui nós dois se topô.
Vancê tava mais formosa,qui nem o cravo e a rosa qui é a rainha das flô.
Vancê afitô meus oiá,qui vei os meu se incontráe naquele instante e momento.Eu sinti uma afriçãoe um fogo no coraçãoqui me quemava tudo p’ro dentro.
Foi ai qui cumeçôa história do nosso amôqui muito cedo morreu.Meu coração foi p’ra Lá,o de vancê vei p’ra Cae nos dois se comprumeteu.
Vancê jurava p’ra mim,que me tinha amô sem fime qui outro nunca quiria.Vai, acontece, eu acreditei,e nunca pois eu penseiqui de mim vancê isquicia.E sem um pingo de dó,vancê dexô ficá só,meu coração retaiado.Um peito qui só viveuqui teus anos padiceupor este amo tão sagrado.
Mais vancê num foi curpada,foi a sorte marguradaqui nois dois se separô.Foi o povo mardizentedessas língua de serpentequi fez caba nosso amô.
Foi também as vaidade,influênça da cidade,foi o rujo, o batão.Foi os vestido rendado,as dança de baiado,as modinha e os violão.Vancê p’ra passiá,nos club de dançá,qui usa La p’ra cidade.
Aprendeu até dança suíno,essa dança nova de argentino,tuliça! só vaidade.Aprendeu umas coisa feia,anté raspá sombrancêia,p’ra depois passá carvão.
Levava a vida cantando,e nas unha só passando,um lustro de vermeião.
Ela hoje se mudô,nem pensa mais nos amô,qui nos fez tanto chorá.
Passa p’ru mim nem conhece,nem se lembra mais das prece,qui fizemos p’ra casá.J
á se esqueceu dos bilhete,das fulô, dos ramalhete,da grinalda e do véu.
Com certeza ela queimôou no monturo ela jogôo laço do meu chapéu.
Ta tudo pois terminado,só me resta retratadoesse amô no coração.
Que nunca posso isquecê,inté na hora de morrê,do nosso amô de São João.
Foi se embora meus amôe resta a cinza como vê.
Mais porém meu coração,toda noite de São João,inda bate p’ra vançê.
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© Jorge Edim · Consultor Financeiro CEA · jorgeedim.com

